A mulher que enxergava o invisível
- Nascimento
- 7 de novembro de 1867
- Falecimento
- 4 de julho de 1934
- Nacionalidade
- Polonesa-francesa
- Atuou como
- Física, Química
Idade ao falecer
66 anos
- Nascimento
- 7 de novembro de 1867
- Falecimento
- 4 de julho de 1934
- Nacionalidade
- Polonesa-francesa
- Profissões
- Física, Química
Carreira e marcos
- 1891
Chega a Sorbonne, em Paris, com 23 anos, usando as economias que juntou como professora.
- 1898
Anuncia o polônio e o rádio, dois elementos que nunca tinham sido isolados.
- 1903
Divide o Nobel de Física com Pierre Curie e Henri Becquerel.
- 1911
Ganha o Nobel de Química. Primeira pessoa a receber o prêmio em duas ciências diferentes.
- 1914
Organiza uma frota de raios X portateis para os hospitais de campanha da franja francesa.
- 1921
Viaja aos Estados Unidos para angariar apoio à pesquisa científica.
Saúde e causa da morte
- Anemia aplástica 1934
Causa da morte
ConfirmadaAnemia aplástica, causada pela exposição crônica a radiação. Registada por Eve Curie nas últimas semanas de vida da mãe.
Fonte: Madame Curie, de Eve Curie (1937), e arquivo do Musee Curie, em Paris.
Este site não diagnostica nem especula sobre saúde de ninguém. Se a causa não foi confirmada por fonte oficial, isso é dito de forma explícita.
Varsóvia, 1867: o que uma menina podia ser
Maria Sklodowska nasceu em 7 de novembro de 1867, em Varsóvia, entao Império Russo. Era a quinta de seis filhos. O pai, Wladyslaw, era professor de física. A mãe, professora também.
Filha de professor, ela não podia estudar em lugar nenhum. Naquela Varsóvia sob ocupacao russa não havia universidade que aceitasse mulheres. O caminho de Maria foi virar professora primaria e economizar, ano apos ano, até poder pagar a passagem para Paris.
Ela conseguiu. Chegou a Sorbonne em 1891, com 23 anos, quase sem dinheiro e com uma obsessao: os cemiterios de Paris registravam radiação muito acima do que deveria.
Becquerel, Pierre, e uma ideia incomoda
Em 1896, Henri Becquerel descobriu a radioatividade do urânio. Dois anos depois, Marie Curie decidiu medir aquilo com precisao - e para isso teve de construir o próprio instrumento, porque o medidor que ela precisava não existia.
Descobriu que a intensidade crescia muito acima do que o uranium puro explicaria. Havia algo mais.
Chamou isso de polonio, em homenagem ao pai, polonês. E depois de radio.
O rádio brilhava no escuro. Literalmente. Por isso as pessoas acharam que era útil como iluminação noturna e em produtos de higiene. Uma indústria inteira de produtos radioativos nasceu na década seguinte - e foi usada em crianças.
Os dois Nobels
Em 1903, Marie Curie dividiu o Nobel de Física com o marido Pierre e com Becquerel.
Em 1911, ganhou sozinha o Nobel de Química.
Ela é a única pessoa na história a ganhar um Nobel em duas ciências diferentes. Ninguém superou até hoje.
E e exatamente ai que nasce o lado sombrio: o comite do Nobel mudou seus próprios estatutos em 1974 para limitar uma família a um prémio por categoria - medida motivada diretamente pelo caso Curie. O Nobel alterou as regras por causa dela.
A guerra: a parte que quase ninguém cita
Em 1914, com a Primeira Guerra já comecada, Curie montou um sistema de raios X portateis sobre rodas, os "petits Curie", que ela própria dirigia para os hospitais de campanha na franja francesa.
Foram cerca de 20 unidades, equipadas por técnicos treinados por ela. O resultado: mais de um milhão de radiografias de feridos, o que permitia cirurgias antes impossíveis por falta de luz suficiente.
Esse é o lado que quase nenhuma biografia popular menciona: Curie não era só uma cientista de laboratório. Era uma logística de guerra.
1934: o que aconteceu depois
Marie Curie morreu em 4 de julho de 1934, em Passy, perto de Paris, aos 66 anos. A causa registrada foi anemia aplástica, consequência de exposição acumulada a radiação.
A filha, Eve Curie, registrou que a mãe perguntava até o fim pelos livros da biblioteca do Instituto do Radium e se recusava a parar de trabalhar.
Deixou dois filhos, Eve e Irene. Irene também ganhou Nobel de Química, em 1935.
Os cadernos que ainda brilham
Esta e a parte que assusta: os cadernos de notas de Marie Curie continuam radioativos. Guardados no Musee Curie, ainda contem radon e torio selados nas páginas, e ficam protegidos por envolucrios de chumbo.
Os visitantes podem ve-los hoje, sob vidro. E a prova mais concreta de um feito: Marie Curie morreu, mas as anotacoes continuam ali, ativas, mais de 90 anos depois.
Por que o nome dela ainda esta numa lei
A Convenção de Marie Curie, de 1994, e o marco de segurança nuclear mais importante já escrito. Ela existe em boa parte porque os primeiros radioativos foram testados sem critério nenhum - e porque a própria Curie pagou com a saúde por isso.
Livros para ir além
- Radioactive - a própria Marie Curie escreveu uma autobiografia em 1919. Extraordinariamente legivel.
- Madame Curie - Eve Curie. Começa como biografia e vira o relato da doença terminal.
- Marie Curie: A Biography - Susan Quinn. O mais rigoroso, o mais longo. Vale a pena.
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Fontes consultadas
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